Fernando Pessoa

Lisboa, 1888; Lisboa, 1935

Nasceu e morreu em Lisboa, tendo porém vivido na África do Sul, em Durban, entre 1896 e 1905. Já em Lisboa, e após uma breve passagem pelo Curso Superior de Letras, que abandonou, trabalhou em vários escritórios como correspondente comercial. Em 1915, com Mário de Sá- Carneiro, Almada Negreiros e outros poetas e artistas plásticos, com os quais formou o grupo "Orpheu", lançou a revista homónima, marco do Modernismo português, onde publicou, no segundo número, o poema interseccionista "Chuva Oblíqua", cuja escrita, conforme descreve na carta sobre a génese dos heterónimos a Adolfo Casais Monteiro, o poeta associa à emergência de Alberto Caeiro (1889-1915), o primeiro heterónimo e mestre dos demais, Ricardo Reis (1887) e Álvaro de Campos (1890), mas também dele próprio. O lado humano dos heterónimos, mais do que a questão literária que lhes subjaz, tem chamado inevitavelmente à atenção. Urdidos como sujeitos distintos, Pessoa criou-lhes uma biografia e atribuiu-lhes um rosto, gestos e feições, construindo-lhes não só "as idades e as vidas", mas também uma singular obra poética.